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Exercícios sobre Fernando Pessoa

Estes exercícios sobre Fernando Pessoa abordam os principais aspectos da obra de um dos maiores poetas da língua portuguesa.

  • Questão 1

    São características da obra de Fernando Pessoa:

    I. Estabelece um corte profundo entre a poesia romântica e a poesia moderna. O poeta criou um novo conceito de poesia, que dessacraliza a chamada “poesia profunda”, ou seja, a poesia em que predominam os versos de sentimentos ou de abordagem introspectiva. Sua poesia é antilírica, presa ao real e direcionada ao intelecto, não às emoções.

    II. O fenômeno da heteronímia é uma das principais características de sua obra. Fernando Pessoa criou personalidades literárias distintas, entre elas Alberto Caeiro, Bernardo Soares, Ricardo Reis e Álvaro de Campos, esse último considerado o alter-ego do escritor.

    III. Sua extensa produção poética costuma ser dividida em quatro fases: a fase religiosa; a fase existencial; a fase social e a fase da memória.

    IV. Ao lado dos escritores Mário de Sá-Carneiro, Luís de Montalvor e Ronald de Carvalho, Fernando Pessoa deu início ao Modernismo português. Foi um dos idealizadores e também diretor da revista Orpheu, considerada a mais influente e importante publicação modernista. 

    V. Entre as principais características da obra de Fernando Pessoa está o “espírito do mal do século”, uma onda de pessimismo doentio que se traduzia no apego a certos valores decadentes, como a bebida e o vício, na atração pela noite e pela morte.

    a) II e IV.

    b) I, III e V.

    c) I e IV.

    d) IV e V.

    e) III e V.

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  • Questão 2

    (UM-SP)

    A respeito de Fernando Pessoa, é incorreto afirmar que:

    a) não só assimilou o passado lírico de seu povo, como refletiu em si as grandes inquietações humanas do começo do século.

    b) os heterônimos são meios de conhecer a complexidade cósmica impossível para uma só pessoa.

    c) Ricardo Reis simboliza uma forma humanística de ver o mundo do espírito da Antiguidade Clássica.

    d) junto com Mário de Sá-Carneiro, dirige a publicação do segundo número de Orpheu, em 1926.

    e) a Tabacaria, de Alberto Caeiro, mostra seu desejo de deixar o grande centro em busca da simplicidade do campo.

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  • Questão 3

    (Enem 2004)

    A tirinha acima estabelece uma interessante relação dialógica com o poema de Fernando Pessoa, Eu sou do tamanho do que vejo
    A tirinha acima estabelece uma interessante relação dialógica com o poema de Fernando Pessoa, Eu sou do tamanho do que vejo

    Da minha aldeia vejo quanto da terra se pode ver no Universo...

    Por isso minha aldeia é grande como outra qualquer

    Porque sou do tamanho do que vejo

    E não do tamanho da minha altura...

    (Alberto Caeiro)

    A tira Hagar e o poema de Alberto Caeiro (um dos heterônimos de Fernando Pessoa) expressam, com linguagens diferentes, uma mesma ideia: a de que a compreensão que temos do mundo é condicionada, essencialmente,

    a) pelo alcance de cada cultura.

    b) pela capacidade visual do observador.

    c) pelo senso de humor de cada um.

    d) pela idade do observador.

    e) pela altura do ponto de observação.

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  • Questão 4

    Poema em linha reta

    Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
    Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.

    E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
    Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
    Indesculpavelmente sujo,
    Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
    Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
    Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
    Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
    Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
    Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
    Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel,
    Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
    Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
    Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
    Para fora da possibilidade do soco;
    Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
    Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.

    Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
    Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,
    Nunca foi senão príncipe - todos eles príncipes - na vida...

    Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
    Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
    Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!
    Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
    Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
    Ó príncipes, meus irmãos,

    Arre, estou farto de semideuses!
    Onde é que há gente no mundo?

    Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?

    Poderão as mulheres não os terem amado,
    Podem ter sido traídos - mas ridículos nunca!
    E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
    Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
    Eu, que venho sido vil, literalmente vil,
    Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.

    Álvaro de Campos (heterônimo de Fernando Pessoa)

    Poema em linha reta é um dos mais importantes poemas de Fernando Pessoa (assinado por Álvaro de Campos, seu heterônimo). Sobre o poema, estão corretas as alternativas, exceto:

    a) Trata-se de uma crítica social construída por meio de uma linguagem irônica, atingindo seu ápice nos versos "Poderão as mulheres não os terem amado, / Podem ter sido traídos - mas ridículos nunca! / E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído, / Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear? / Eu, que tenho sido vil, literalmente vil, / Vil no sentido mesquinho e infame da vileza".

    b) Por meio de uma autocaracterização pejorativa, o eu lírico expressa uma ideia de contraste entre ele e a sociedade, revelando assim o sentimento de estar à margem do mundo: “Arre, estou farto de semideuses! / Onde é que há gente no mundo?”.

    c) Ao afirmar, no primeiro verso do poema, que nunca conheceu quem tivesse levado porrada, o poeta declara-se vítima desse ato violento cometido pela própria existência. Seus pares, homens perfeitos, caminham em “linha reta”, por isso imunes aos revezes da vida, enquanto o poeta, humano e imperfeito, sofre com as intempéries da vida.

    d) O poema em prosa tem como objetivo romper a barreira do real, atingindo assim bases surrealistas. As imagens são, predominantemente, de inspiração simbolista. O eu lírico afasta-se da realidade e alcança o universo onírico utilizando recursos sinestésicos.

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Respostas

  • Resposta Questão 1

    Alternativa “a”.

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  • Resposta Questão 2

    Alternativa “e”. O poema Tabacaria foi atribuído ao heterônimo Álvaro de Campos, cuja obra poética é dividida em diferentes fases (único heterônimo do poeta que recebeu essa distinção). Suas principais características são o niilismo, o sentimento de revolta, o inconformismo, a desumanização e a desilusão. Foi considerado como a poesia mais significativa de Álvaro de Campos.

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  • Resposta Questão 3

    Alternativa “a”. Na tirinha, Hagar satiriza a crença do filho de que o mundo é redondo, já que, para Hagar, a realidade imediata (representada pela imagem do segundo quadrinho) sugeriria justamente o contrário. No fragmento de Caeiro, o eu lírico defende que ele é do tamanho do que vê, o que é uma maneira de mostrar que a interpretação da realidade depende dos valores de cada um. Os textos expressam a ideia de que a compreensão do mundo é condicionada, essencialmente, pelo alcance de cada cultura.

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  • Resposta Questão 4

    Alternativa “d”.

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